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SEÇÃO SERGIPE
UMA BREVE PASSAGEM PELO CINECLUBISMO EM ARACAJU
Por Ulisses Filho
O cineclubismo em Sergipe, mais especificamente em Aracaju, percorreu mais ou menos a mesma trilha e tinha a mesma filosofia da dos outros estados. Os objetivos principais eram: formação de público, discussão sobre a linguagem cinematográfica, debates de filmes importantes, exibição de películas fora do circuito comercial e produção de filmes e vídeos.
A primeira experiência sergipana no cineclubismo foi com a criação em 24 de junho de 1952 do Clube de Cinema de Aracaju (CICLA) que durou até o ano de 1956. Temos poucas informações a respeito das atividades do clube, a não ser que foi o embrião dos cineclubes do estado de Sergipe. Funcionou como uma espécie de ponto de partida.
Mas, dez anos depois em 23 de novembro, foi fundado o Clube de Cinema de Sergipe por iniciativa dos jornalistas José Carlos Monteiro, Ivan Valença e outros amantes do cinema. O CCS, como ficou conhecido, teve duas fases, a primeira de 1966 a meados de 1969, a segunda a partir de 1975.
Nesse ano o CCS é reaberto pelos críticos de cinema Djaldino Mota Moreno e Clóvis Barbosa de Melo. Essa segunda fase foi a mais importante, pois, além da tradicional exibição de filmes fora do circuito comercial, intensificou-se a produção de filmes na bitola super-8 mm e 16 mm e a participação ativa na política do cineclubismo no Brasil, em encontros e seminários, e a presença em festivais de cinema, sobretudo durante algumas edições do FENACA (Festival Nacional de Cinema) promovido pela Universidade Federal de Sergipe. Além dos já citados, fizeram parte da nova fase do CCS: Augusto César Macieira, Justino Alves Lima, Antonio Jacinto Filho, Evandro Curvelo Hora, Juraci Ferreira Dantas, João Freire Amado e outros.
Em 4 de março de 1978, numa tentativa de agregar o cineclube à escola, foi fundado o Cineclube do Colégio Estadual Atheneu Sergipense (CINECEAS), já desativado. Foi a primeira experiência no estado em levar para dentro da escola um cineclube, e uma das mais importantes, porque aproximou os estudantes da linguagem áudio-visual com a prática e teoria onde eram realizados cursos e seminários semestralmente. Fizeram parte dessa agremiação: Marcelo Déda, Austregésilo Júnior Aragão de Melo, João Ulisses de Melo Filho, José Ulisses Theodoro dos Santos e outros.
No auditório do Instituto Histórico e Geográfico no dia 2 de julho de 1988 foi fundado o Cineclube Juca Barreto. As exibições seguintes ao da inauguração são realizadas no cinema Rio Branco coma forma de atrair a atenção da comunidade para aquela casa de espetáculo que era desejada pelos artistas a tornar-se uma casa de cultura. O cineclube teve uma vida efêmera, apenas dois anos.
Nos anos noventa, com a iniciativa do professor da UFS Caio Amado, Alessandro Amorim e Luiz Garcia, foi fundado o Cineclube Fantomas. Com este cineclube deu-se início a produção em vídeo. O Fantomas tinha como objetivo principal à discussão sobre a linguagem e teoria do cinema.
Não existem mais cineclubes em Sergipe, pelo menos no formato tradicional, no entanto a existência deles foi de suma importância na formação cultural, técnica e política dos muitos envolvidos. Hoje o cineclubismo no Brasil, dos poucos que sobraram, se profissionalizou, o que descaracteriza seu principal objetivo, o entretenimento.
Fontes:
Moreno, Djaldino Mota. Cinema Sergipano, Aracaju 1988.
Moreno, Djaldino Mota, Uma Aventura Cinematográfica, Aracaju 1991.
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